Quem cuida de quem cuida: o Brasil e seus 73 milhões de bichanos sem plano de condomínio
Publicado em 13/08/2026
Se o Brasil fosse um condomínio, o síndico já teria levado
várias reclamações. Somando cães e gatos, temos cerca de 73 milhões de patas
peludas por aqui, mais gente peluda do que cabe em todos os estádios do país
juntos, com fila lá fora latindo de impaciência.
E o problema é que, enquanto a população pet cresce (a
projeção é chegar a 112 milhões até 2030 sem controle populacional), a política
pública para cuidar dela mal saiu do papel.
Aqui está o número que dói: cerca de 30 milhões de cães e
gatos vivem hoje nas ruas do Brasil, segundo estimativas da OMS. Desses, só uma
fração pouco mais de 200 mil, está sob os cuidados de ONGs, que carregam nas
costas um problema que, tecnicamente, é de todos nós.
Quem manda em quê
O tema é um daqueles em que "todo mundo é responsável,
mas ninguém é dono": a União dá as diretrizes, os estados regulamentam, e
os municípios ficam com a parte mais visível e mais cara recolher, abrigar,
castrar, fiscalizar. É como montar um móvel em equipe onde cada um leu um
manual diferente.
Por sorte, o país começou a organizar essa bagunça: o
Ministério do Meio Ambiente lançou um programa nacional de manejo populacional,
e o Conselho Federal de Medicina Veterinária publicou, em 2024, diretrizes
técnicas obrigando responsabilidade veterinária formal em mutirões de
castração. Parece burocracia chata, e é exatamente esse tipo de burocracia que
evita castração feita sem estrutura mínima de segurança.
Castração não é luxo, é conta que fecha
Discutir castração ainda desperta paixões de discussão de
bar, mas os números são teimosos: sem controle populacional, o custo ambiental,
sanitário e financeiro só cresce. É a intervenção de política pública com
melhor custo-benefício do setor, reduz abandono, reduz doença, reduz pressão
sobre orçamentos municipais já no vermelho.
E há um sinal de esperança nos dados recentes: a proporção
de resgates de ninhadas inteiras de filhotes caiu de 45% para 31% em pesquisas
do setor, prova de que política pública bem feita muda estatística, não é só
discurso de campanha.
Onde você entra nessa história
Política pública sem cobrança popular é só papel em Diário
Oficial. Cobrar conselho municipal, participar de audiência pública sobre
orçamento, apoiar castração com verba de verdade (não só curtida no Instagram),
isso é o que transforma "ai que dó" passageiro em estrutura
permanente.
Se cada cidade tratasse seus cães e gatos de rua com a mesma
seriedade orçamentária que trata a poda de árvores, o Brasil não teria 30
milhões de animais sem endereço. Teria 30 milhões de motivos para se orgulhar.
Adaptado e interpretado por Anderson Carlos
Fontes consultadas: IBGE; Fundação Getúlio Vargas (Radar
Pet); Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Programa Nacional de
Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos e sistema SinPatinhas); Conselho
Federal de Medicina Veterinária (Resolução CFMV nº 1.596/2024); Instituto Pet
Brasil; Instituto MVC (Índice de Abandono no Brasil); pesquisa Cenário de
Abandono de Animais (Cobasi Cuida); Organização Mundial da Saúde.
Simplifique a gestão do seu petshop ou clínica veterinária
Conheça o D2APet: agenda, financeiro, estoque e prontuário em um só lugar.
Ver planos Nossos serviços